Profissionais liberais, esportistas, religiosos, Chefes de Estado, críticos de arte e picaretas do mundo inteiro reuniram-se no Salão Oval lá de casa para discutir qual seria o melhor disco dos Engenheiros do Hawaii na era pós GLM.
Surpreendentemente e contrariando as recomendações da Convenção de Genebra, Farinha do mesmo saco, o CD solo de Carlos Maltz, foi apontado pela maioria esmagadora, voz da razão, o melhor e mais engenheiro disco dos Engenheiros nos últimos 17 anos, deixando para trás a power trinca perturbadora de Humberto Gessinger Trio, o hard rock nativista de Minuano e a tensão à flor da pele de Tchau Radar entre outros.
A conclusão acima veio à tona porque no Farinha concentra-se dois terços do talento da legítima engenharia hawaiana, algo que não se via desde o conturbadíssimo e superproduzido Simples de Coração, único disco dos Engenheiros vendido em boutique, mas ainda com alto teor enghaw.
O baixo encorpado do Farinha, a bateria raçuda, o ambiente amador, a capa artesanal e a química entre o corpo e o coração dos Engenheiros caem como uma luva na produção do disco e, de quebra, marca e celebra o reencontro de Humberto Gessinger e Carlos Maltz, que, ao longo de 11 faixas, dividem vocais, vêem o mundo girar no jardim das acácias de Zé Ramalho e transformam a oração de São Francisco num rock n´roll da melhor qualidade.
Pra finalizar mais esse texto pretensioso e jornalisticamente canalha, um momento de lucidez: embora as letras intimistas de Gessinger tenham dado lugar ao discurso libertário com azeite esotérico de Maltz e a guitarra, mesmo nos Engenheiros, há tempos já tenha ficado bem menos refinada, a sonoridade do Farinha remete à bons tempos que dificilmente voltarão.

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